24 de agosto de 2010

OEA INVESTIGA FRAUDE EM OCORRÊNCIA POLICIAL EM SÃO PAULO(CASO NÉLIO NAKAMURA BRANDÃO)

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1382532-5598,00.html
/ BRASIL

OEA INVESTIGA FRAUDE EM OCORRÊNCIA POLICIAL EM SÃO PAULO
Durante ocorrência, policiais mataram ladrões e vítima.
MPE arquivou inquérito, apesar de relatório da Polícia Civil.


A Organização dos Estados Americanos (OEA) investiga mais um caso de impunidade de policiais no Brasil. A denúncia também atinge o Ministério Público (MPE) e a Justiça estadual. A Polícia Civil apurou que, durante uma ocorrência de roubo, policiais militares mataram vítima e ladrão, usando meios fraudulentos para transformar o crime em 'resistência seguida de morte'. A fraude foi desmascarada e os policiais, indiciados. Enviado ao MPE, o promotor Roberto Tardelli determinou, com a anuência da Justiça, o arquivamento do inquérito, alegando 'legítima defesa'.
O parecer de Tardelli contraria as declarações do tenente Roberto de Arruda Júnior, que acompanhou a ocorrência e viu quando um dos policiais arrancou o ladrão desarmado do carro e o matou com dois tiros no peito. Os familiares da vítima do assalto - o comerciante e universitário Nélio Nakamura Brandão, de 24 anos - ficaram inconformados.
O pesadelo de Eládia Brandão, de 27 anos, mulher de Nélio, começou às 5h20 do dia 13 de setembro de 2004. Ela e Nélio saíam de casa no Jardim São José, na zona leste, quando um Ford Courrier parou atrás do Palio do casal. Dois homens - um deles armado - roubaram o carro e fugiram.
Nélio entrou em casa, pegou um revólver e saiu no encalço dos ladrões em sua moto, enquanto Eládia telefonava para a polícia. Como era normal trazer a filha de 4 anos dormindo no banco de trás, ela esqueceu que a havia deixado na casa da sogra e passou a acreditar que a filha fora levada pelos criminosos.
Quando a Polícia Militar chegou, Eládia contou o caso. Iniciou-se a perseguição. Minutos depois, duas equipes chegaram à casa de Eládia perguntando se ela tinha condições de reconhecer os ladrões, inclusive 'o ocupante da moto'.
Nesse momento, Elisabeti Nakamura Brandão, mãe de Nélio, que já estava na casa da nora, teve um mau pressentimento: "Meu japonesinho!" Calados, os policiais saíram. Sogra e nora se dirigiram ao 41º DP (Vila Rica). Descobriram sozinhas, graças ao alto volume do rádio de uma viatura, que dois homens baleados tinham sido levados ao Hospital do Jardim Iva.
No necrotério do hospital, Eládia encontrou o marido morto com três tiros, estirado ao lado do corpo de Alexandre Cruz, de 24, um dos assaltantes. Só às 12h30, quando os policiais apresentaram a ocorrência na delegacia, Eládia e Elisabete ouviram a primeira versão: Nélio teria sido assassinado pelo assaltante Alexandre, que, por sua vez, teria morrido no tiroteio com a PM.
Confundido
Durante oito meses foi feita a investigação, parte dela comandada pelo delegado Luciano de Barros Faro, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado concluiu que Nélio foi morto porque os policiais o confundiram com um dos assaltantes.
Alexandre, o assaltante, sequer estava armado quando o soldado Luiz Domingos o arrancou do carro já ferido com um tiro nas costas, o deitou no chão e deu-lhe mais dois tiros, no peito. Segundo o delegado, os policiais arquitetaram uma história falsa: um dos PMs arranjou um revólver 38 com numeração raspada, que estava com um comerciante do bairro, e o 'plantou' no ladrão quando ele já estava morto.

2 comentários:

ROBERTO BRANDÃO disse...

Prisão para 7 PMs acusados de execução
Dois anos e quatro meses depois de matar comerciante e um ladrão, Corregedoria desmascara a farsa de policiais e os leva à cadeia
RITA MAGALHÃES, rita.magalhaes@grupoestado.com.br
A decretação da prisão preventiva de sete policiais militares anteontem pela Justiça Estadual põe fim a dois anos e quatro meses de injustiça e impunidade. No dia 13 de setembro de 2004, um tenente e seis soldados mataram o comerciante e estudante de direito Nélio Nakamura Brandão e Alexandre Roberto Cruz, ambos de 24 anos. O primeiro era vítima. O segundo, um ladrão desarmado. Para esconder o crime, os policiais montaram uma farsa: disseram que o ladrão matou a vítima e morreu trocando tiros com policiais. Seis deles estão presos desde ontem no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital.

Não fosse a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a imparcialidade da Corregedoria da Polícia Militar e do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, o tenente Roberto de Arruda Júnior, os soldados Nilton Silvano, Avelino da Silva Custódio, Anderson Fábio dos Santos, Luiz Henrique de Brito Domingos, Genivaldo Geraldo de Oliveira e Márcio Roberto da Silva Queiroz, continuariam livres e impunes.

Isso porque, mesmo depois de a fraude ter sido desmascarada e os policiais indiciados pela Polícia Civil, o promotor Roberto Tardelli determinou em agosto de 2005, com o aval da Justiça o arquivamento do inquérito, alegando 'legítima defesa'. Tardelli ignorou até mesmo a confissão do tenente Arruda, que participou da ocorrência e declarou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que viu o soldado Brito arrancar Cruz do carro e efetuar dois disparos contra o seu peito.

No dia do crime, Cruz, acompanhado de um comparsa, roubou o carro da vítima na porta de sua casa. Brandão, imaginando que a filha de 3 anos estivesse no banco de trás do veículo, se armou de um revólver, pegou sua motocicleta e saiu atrás dos ladrões. Confundido com o criminoso, o estudante também foi executado pelos PMs. Ao Jornal da Tarde, Tardelli disse, em novembro do ano passado, que não ficou convencido de que a intenção dos PMs fosse matar a vítima e o ladrão e que por isso não poderia denunciá-los por homicídio doloso. Ele não descartou a possibilidade de imperícia e despreparo dos policiais, o que poderia até resultar na condenação por homicídio culposo, por um tribunal distinto do Tribunal do Júri.

Essa leitura, para alívio da viúva Eládia Brandão, 27 anos, e da mãe da vítima Elisabeti Nakamura Brandão, 50 anos, não foi a mesma do promotor do júri Maurício Antônio Ribeiro Lopes, que caracterizou a ação dos policiais como de 'execução sumária'.

Vinte dias depois de receber e analisar as minúcias do relatório do Inquérito Policial Militar (IPM), Lopes denunciou os sete PMs por duplo homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas). A denúncia foi recebida na sexta-feira pela juíza Sônia Nazaré Fernandes Fraga, que ontem decretou as prisões.

Dú Pirollo disse...

Meu caro amigo Roberto, bom dia!!!
Infelizmente casos como este ainda acontecem em nosso país, uma vergonha...
A gente nem sabe mais em quem confiar, quem é certo, quem é errado...
Parece que todo o bom senso desapareceu, cada dia uma nova fraude...
Parabéns pela postagem, meu amigo!
Tenha um bom dia de trabalho!
Abraços e muita paz!!!