10 de janeiro de 2012

Justiça decreta prisão de empresário suspeito de causar acidentes em SP


Justiça decreta prisão de empresário suspeito de causar acidentes em SP


A Justiça de São Paulo decretou nesta terça-feira (10) a prisão temporária do administrador de empresas Michel Goldfarb Costa, de 34 anos. A informação é do delegado Marcos Antônio Manfrim, do 26º Distrito Policial. Costa é suspeito de ter feito disparos a esmo e de provocar uma série de acidentes na manhã desta segunda (9) em São Paulo, além de ter baleado um homem na barriga.
A Polícia Civil pediu na madrugada desta terça a prisão temporária do administrador. Entre os motivos alegados pela polícia estão três tentativas de latrocínio, tentativa de homicídio, disparo de arma de fogo e lesões corporais. O advogado de Costa, Nicolau Aun Junior, disse na tarde desta terça-feira que o jovem, caso seja realmente o autor dos crimes, atirou para “não matar”. “Ele treinava tiro ao alvo e praticava muito. Ele atirou para não matar, atirou para assustar. Isso tudo falando no plano das hipóteses”, afirmou.
O advogado disse que Costa “evaporou” após deixar o carro na Marginal Tietê e até o início da noite desta terça não havia feito contato. Ele disse temer pela vida do cliente e contou que Costa tinha uma arma de ar comprimido e alvos em casa. Aprendeu a atirar quando esteve em Israel. O advogado defendeu o caráter do cliente. “Ele tem 12 cachorros vira-latas que pegou na rua. Eu nunca vi alguém gostar de cães e ser uma má pessoa.”
Ainda segundo o advogado, o administrador se relacionava bem com a família, tinha amigos e uma namorada há quatro anos.
Câmeras
Segundo o delegado Manfrim, duas câmeras da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) poderiam ajudar a identificar a ação do criminoso, mas estavam desativadas. Não funcionava uma câmera na Avenida dos Bandeirantes, próximo do local onde o suspeito abandonou seu Corolla e roubou o primeiro carro, segundo a polícia. Também não estava em operação uma câmera da CET na esquina da Avenida Tancredo Neves com a Rua Nossa Senhora das Mercês, onde outro veículo foi roubado e o autor do crime fez disparos.
Uma outra câmera particular, instalada em um posto de gasolina na Marginal Tietê, perto do local onde o último veículo roubado foi abandonado, funcionava, mas apenas com imagens do interior do estabelecimento. Ela não poderá ajudar nas investigações.
Na segunda-feira, a Polícia Civil anunciou que Costa deve ser indiciado por tentativa de homicídio, roubo e disparo de arma de fogo. Costa é também artista plástico e mora em um condomínio de luxo em Cotia, na Grande São Paulo.
Para a polícia, Costa foi quem causou todos os acidente durante a manhã. Quatro pessoas já o reconheceram por foto. Segundo as investigações, ele bateu em pelo menos dois carros e um ônibus, baleou um homem na barriga e feriu outro de raspão.
O delegado responsável pelo caso, Marcos Antônio Manfrim, disse acreditar que o administrador tenha tido um "surto psicótico". "Aparentemente não há motivação, a não ser um surto", afirmou. O policial acrescentou que ao menos 20 tiros foram disparados.
A namorada de Costa prestou depoimento nesta segunda. Ela o descreveu como uma pessoa fechada, com poucos amigos, quase nenhum contato com a família e que não trabalhava. "Ele aplicava dinheiro na Bolsa de Valores", segundo o delegado.
A mulher contou à polícia que tudo começou às 4h desta segunda. Costa era conhecido por ter mais de dez cachorros, e eles começaram a latir nesse horário - o casal havia ficado acordado até tarde vendo filmes. O administrador teria ficado com medo de que a casa tivesse sido invadida. "Ele teve uma briga recente com o vizinho em relação ao barulho [dos cães] e teria sido ameaçado", disse Manfrin. "Quando a namorada dormiu, ele [Costa] saiu de casa deixou tudo aberto, as portas abertas. Ele saiu de carro, vestindo o colete e com a arma em punho."
A relação dele com a namorada era boa - o casal está junto há quatro anos e se vê aos fins de semana, segundo o depoimento. "O surto não ocorreu por conta de uma briga", afirmou o delegado-adjunto Dalmir de Magalhães.
'Dia de fúria'
O tenente da Polícia Militar Guilherme Willian Pacheco definiu a ação como um "dia de fúria". Segundo ele, a ação "foge do padrão de um assalto". “Ele em um dia de fúria e loucura teria pego uma arma e um colete e efetuado vários disparos em via pública”, afirmou.
Os policiais descobriram a identidade do suspeito após constatarem que ele é o dono do Corolla encontrado na Avenida dos Bandeirantes, na Zona Sul.
O Corolla, após derrapar, foi visto pela primeira vítima do criminoso, o taxista Elias da Silva, de 37 anos, que levava uma passageira para o aeroporto. Ele parou no semáforo e foi abordado pelo homem armado com uma pistola calibre 380.
Para o tenente, a ação foge do padrão, segundo relato das testemunhas que estiveram presentes durante todo o dia no 26º Distrito Policial, no Sacomã. “Em nenhum momento ele falou 'desce, que é um assalto', como a gente costuma ver. Ele atirou, depois tirava a pessoa de dentro do carro. Foge do padrão de um roubo normal."
Ação
Em alta velocidade, o criminoso que havia roubado o táxi nas proximidades do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, colidiu com um Fiat Brava na Avenida Presidente Tancredo Neves, próximo da Rua Nossa Senhora das Mercês. Um Fiat Idea também foi atingido.
"Eu só ouvi a pancada. Foi tão forte que eu pensei que era um caminhão. Só pensava no meu filho”, afirmou David Neves, técnico em instalação de TV a cabo, que dirigia o Fiat Brava. A mulher dele, de 28 anos, e o filho, de 2 meses, tiveram que ser levados ao Hospital Cruz Azul, mas passam bem.
Depois da colisão, o criminoso deixou o carro e saiu atirando para todos os lados. Ele baleou o motorista de uma EcoEsport e tentou fugir no carro, mas não conseguiu. Posteriormente, o criminoso atirou contra um Logan. “Acho que ele queria o meu carro para fugir”, disse o engenheiro Ademir Carlos Guerretta, de 61 anos, que ia para o trabalho no Logan. O tiro atingiu o engenheiro de raspão no braço.
O ladrão abordou, então, a professora Ivete Souza Cruz, de 48 anos, que estava no Polo prata. “Ele atirava a esmo. Ele deu um tiro na maçaneta e tentou me tirar com cinto e tudo. Ele me arrancou do carro. Não tinha percebido que ele estava ferido, mas estou com a roupa toda suja de sangue dele”, disse a professora.
À frente, já próximo à Rua Vergueiro, ainda na Avenida Presidente Tancredo Neves, ele colidiu com um ônibus. Para prosseguir em fuga, um Ford Ka foi roubado, com o qual seguiu até o Parque Dom Pedro, no Centro de São Paulo. Nesse ponto, ele roubou um Celta e seguiu até a Ponte da Casa Verde. Depois, desapareceu.
O motorista da EcoEsport foi levado para o Hospital Heliópolis, onde passou por uma cirurgia. Segundo um familiar da vítima, a bala perfurou a barriga e ficou alojada na perna
Do primeiro crime até a Marginal Tietê, foram cerca de 25 km por ruas e avenidas movimentadas da capital. Foram mais de 20 tiros disparados e duas pessoas feridas. Em nenhum momento, o homem foi perseguido ou parado pela polícia.

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8 de janeiro de 2012

Justiça nega terceiro pedido de habeas corpus de Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Maninho


O Tribunal de Justiça do Rio negou, pela terceira vez em menos de cinco dias, um pedido de habeas corpus de Shanna Harrouche Garcia, de 26 anos, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004. Shanna e outros sete acusados tiveram prisão preventiva decretada no último mês pela tentativa de homicídio de Rogério Mesquita, em 2008.
Segundo o desembargador de plantão Marcelo Buhatem, autor da decisão que indeferiu o pedido de liberdade, só nesta sexta-feira foram feitas duas solicitações: uma no início da madrugada e outra por volta das 8h. Em ambas a defesa alega que não há os requisitos para a prisão preventiva, e acrescenta que Shanna tem endereço fixo, além de ser mãe de uma criança de dois anos. No segundo pedido, a defesa chega a pedir que, caso o habeas corpus não seja concedido, a Justiça avalie a possibilidade de a filha de Maninho cumprir prisão domiciliar, o que também não foi aceito pelo desembargador.
- Neguei o primeiro pedido e estou negando o segundo. O crime é grave e considerado hediondo - explicou Buhatem.

Em depoimento à polícia, viúva de Maninho disse ter medo de ser assassinada pela própria filha, Shanna

A trama, montada com investigações e depoimentos à polícia, tem lances — e nomes — dignos de uma novela mexicana. Pela herança do pai, o bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004, brigam os filhos Tamara, Shanna e Myro. Pelo domínio dos negócios de Maninho, a disputa envolveu Shanna e o tio, Alcebíades, o Bide, irmão de Maninho. Em mais um capítulo dessa história, brota agora a revelação de que a mãe de Shanna e viúva de Maninho, Sabrina Harrouche Garcia, temia ser morta pela própria filha.
Em depoimento à polícia, logo no início das investigações sobre a tentativa de homicídio do pecuarista Rogério Mesquita, ocorrida em 2008, Sabrina revelou que sabia de informações de que a filha queria matá-la. A irmã de Shanna, Tamara Harrouche Garcia, também poderia ser vítima, segundo Sabrina.
— Apesar de afirmar que não acreditava na história, a mãe tomou providências em relação à sua segurança — ressaltou um promotor do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual.
Um dos advogados de Shanna, Marcus Cezar Feres Braga, fez ressalvas em relação ao episódio.
— Essas especulações sempre existem. Ela (Sabrina) fez questão de frisar que não acreditava na história. Estive hoje (anteontem) com a Sabrina e ela prestou total apoio à filha no que for necessário — afirmou ele.
Casamento polêmico
Braga, porém, revelou que Sabrina não aceitava o casamento de sua filha com José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, assassinado em setembro do ano passado. A união, segundo o advogado, teria sido motivo de um desentendimento entre as duas.
— É o que considero uma briga de batons — amenizou o advogado.
Sabrina foi procurada pelo EXTRA em sua casa e no local onde seria o seu trabalho, ambos na Barra, mas não foi encontrada nos endereços. Nos telefones residencial e comercial de Sabrina, o EXTRA deixou recados para que ela entrasse em contato, mas as ligações não foram retornadas.
‘Briga de batons’ envolveu também irmã
A "briga de batons" na família era também entre irmãs. Shanna e Tamara, gêmeas, disputaram, mais novas, posições no pódio de competições hípicas. A primeira foi amazona de sucesso e figurou no ranking brasileiro. A segunda chegou a montar, mas largou as pistas após um acidente.
Hoje, as duas lutam pela herança do pai. O irmão mais novo, Myro Garcia, também está na briga, mas ao lado de Tamara. Shanna foi nomeada inventariante do espólio de Maninho, mas teve atuação questionada pelos irmãos. Ela teria, de acordo com Tamara, vendidos diversos bens do pai, incluindo cavalos, sem que ela fosse notificada.
Tamara reclama ainda que a irmã não teria depositado os rendimentos do espólio, incluindo o recebimento de aluguéis. Tentando apaziguar a situação, a Justiça do Rio nomeou um inventariante judicial para administrar o espólio de Maninho.
Além da própria mãe, o tio de Shanna, Bide, também disse em depoimento à polícia que foi ameaçado pela sobrinha. Ele ainda apontou Shanna como uma das responsáveis pela tentativa de assassinato de Rogério Mesquita.
Foi por uma dessas suas desavenças que Shanna, de acordo com denúncia do Ministério Público, planejou a morte de Rogério Mesquita. Com outras sete pessoas, além de seu marido, Zé Personal, a filha de Maninho tramou a morte de Mesquita, com quem também disputava o espólio do pai. Pelo crime, Shanna teve a prisão preventiva decretada e está foragida.