22 de setembro de 2010

Ferreira Gullar brada: Vamos errar de novo?


ferreira gullar brada: vamos errar de novo?
http://www.jornalpequeno.com.br/blog/linhares/?p=2525
Por Ferreira Gullar
Faz muito tempo já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.
Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.
Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.
Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.
Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.
Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.
Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.
No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.
A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.
O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada -Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

2 comentários:

Luciana Penteado disse...

Acho que não vale a pena correr esse risco, porém, o povo se vende por pouco. Não sei se o que mais pesa é a ingenuidade ou a falta de informação. Acho que ambas são aliadas. Concordo com Gullar, Jânio e Collor não valeram a pena ao Brasil, e essa Dilma, o tempo responderá o que já sabemos. Ótima postagem!

Lu

robertopadoka@gmail.com disse...

CONCELHO PARA POLITICO...Realiza todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem provas, sem testemunhas, longe de documentos e especialmente de telemóveis.
No caso de seres apanhado, grita inocência até ao fim, marca conferências de imprensa para proclamares o teu horror e quando te confrontares com a tua consciência, diz a ti próprio que fizeste tudo para bem do Povo e dos seus representantes.
Procura uma sociedade secreta. Afinal..há magistrados na Maçonaria, na Opus Dei, nos partidos políticos, no futebol e, também, no "Céu".
Se puderes, dá uma ajudinha na feitura das leis de forma a serem feitas à tua medida. Elas sucedem-se umas às outras, sem que estejam consolidadas as anteriores...
Tenta "comprar" um título de doutor pois sempre te dá um certo "ar" de intelectual, mesmo que não sejas poliglota.
Tenta encontrar "bodes expiatórios" enquanto as cartas rogatórias se demoram entre fronteiras e burocracias.
Em ultima instância, avoca o processo a ti e demora-o na "salgadeira" da prescrição enquanto ofereces esmola aos pobres e/ou foges da comunicação social como o "Diabo da cruz".
Quando a comunicação social te fizer o "cerco" afasta-a para escândalos fictícios enquanto constróis os teus próprios abrigos.
PAULO